As organizações modernas
encontram-se em um contexto mundial mais complexo e de grandes desafios. O processo de globalização
expandiu fronteiras e aumentou seu campo de atuação, assim como permitiu a ampliação em número
e diversidade da clientela, de parceiros e de fornecedores. Os avanços
tecnológicos redefiniram o conceitos de fronteira e distância. O alcance geográfico
foi ampliado pelo uso da Internet e das operações de parceria em rede. Mercados
locais, anteriormente atendidos por empresas instaladas nos raios de alcance da
proximidade física, foram invadidos pela concorrência que chega pela rede
mundial de computadores. Se por um lado
as organizações sentem a pressão do aumento do alcance da concorrência, por outro sentem a pressão dos próprios
clientes, que tornaram-se mais exigentes em função do gigantesco volume de
informações que têm à disposição diariamente por meio das modernas tecnologias
de informação e comunicação. Clientes mais bem informados e cientes das possibilidades
de consumo pressionam as organizações por produtos e serviços de melhor qualidade e mais aderentes às suas
necessidades. A fidelização tornou-se um enorme desafio em um mundo sem fronteiras
e ao alcance do mouse e das operações comerciais pela Internet.
Para vencer os desafios e sobreviver nesse ambiente
altamente competitivo, as empresas
investiram nas últimas décadas na modernização dos
seus modelos de gestão, em processos de trabalho
mais eficientes, em informação e inteligência, e em tecnologia de ponta. No
entanto, para que seja alcançado o nível de retorno esperado frente ao
investimento realizado, é necessário que o ativo mais importante das
organizações seja trabalhado: as pessoas. Processos eficientes, tecnologias de
ponta e estratégias excepcionais tornam-se efetivos quando as pessoas trabalham
em prol da organização, alinhadas e
comprometidas com seus objetivos. Modelos de gestão de pessoas existem para
alinhar os comportamentos das pessoas aos objetivos institucionais, fazendo com que as
organizações consigam a sinergia necessária à consecução de seus objetivos
(Fischer, 2002).
Tanto as organizações quanto os modelos de gestão
de pessoas evoluíram ao longo dos
anos. Para cada momento histórico existiu um modelo
de organização com o respectivo modelo de gestão de pessoas, adequados ao
contexto da época (Santos e França, 2007). No entanto, pesquisas recentes
demonstram que há um desencontro entre as práticas acadêmicas da moderna gestão
de pessoas e os desafios que as organizações enfrentam nos dias de hoje
(Fischer e Albuquerque, 2004). Esse desencontro entre as melhores práticas de
gestão de pessoas e o que é efetivamente realizado pelas empresas influencia
negativamente a gestão e a capacidade de sobrevivência das próprias organizações.
Evoluir o modelo de gestão de pessoas é, portanto, desafio de sobrevivência das
organizações da era moderna.
Os modelos de gestão de pessoas são influenciados
por diversos fatores internos e
externos à organização. Mercado, concorrência,
sociedade, legislação, ambiente, cultura social, fornecedores e clientes são
fatores externos que influenciam na escolha do modelo de gestão de pessoas a
ser adotado. Por outro lado, a proposta de valor da organização, sua
estratégia, estrutura, competências, cultura, clima e tecnologia são fatores
internos que condicionam a escolha do modelo e influenciam a sua adoção (Fischer,
2002).
A tecnologia da informação apresenta-se para as
organizações modernas como uma parceira estratégica na busca da eficiência e da
inovação. Terra (2001, p.164) chega a afirmar que a TI, mais especificamente o
software, é o elemento central do processo inovador, capaz de diminuir, unir ou
eliminar diversas de suas etapas. A tecnologia apresenta-se, dessa forma, como fator
condicionante importante, capaz de potencializar e em alguns casos viabilizar a
implantação dos novos modelos de gestão
de pessoas nas organizações.
Considerando a importância da TI como fator
condicionante dos modelos de gestão de pessoas, este trabalho tem o objetivo
descrever como a TI pode auxiliar as organizações na
adoção dos novos modelos de gestão de pessoas.
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